Informação Técnica

Quartzitos são rochas metamórficas com textura sacaróide derivadas de sedimentos arenosos, formadas essencialmente por grãos de quartzo recristalizados e cimentados ou não por material sílicoso.

O Quartzito São Tomé mostra coloração variável de esbranquiçada a amarelada (ainda podendo tender ao rosa), sendo composto por quartzo em cristais com diâmetro médio de 1,5 mm. O mineral acessório mais comum é a sericita (mica branca fina). tendo-se ainda traços de zircão e magnetita/ílmenita.

Análises petrográficas por microscopia óptica de amostras representativas do Quartzito São Tomé, evidenciam texturas do tipo sacaróide com caráter granoblásticos e localmente granolepidoblásticos.Os grãos de quartzo apresentam contatos concavo-convexos a planos, sem nenhum tipo de cimento interligante.

O quartzito São Tomé é uma rocha bastante coesa, não escamável e resistente à abrasão, com ótimos índices de absorção d’água para o seu grupo litológico.

A foliação metamórfica condicionada pelos minerais micáceos, determina a ocorrência de planos preferenciais de desacoplamento, aproveitados para lavra direta de chapas no maciço rochoso. As superfícies naturais dessas chapas são antiderrapantes e suas cores claras refletem a luz solar, funcionando como refratário térmico.

Ensaios normatizados de amostras do Quartzito São Tomé, forneceram os seguintes resultados:

“Absorção de água (DIN 52 103)¹………………………………………..0,66%

“Densidade bruta (DIN 52 102)¹………………………………………….2,605 Kg / dm³

Abrasão (ISO DIS 10.545 / 1.500 ciclos)……………………………Classe 3

Análises químicas dos quartzitos comercializados sob as designações de São Tomé Amarillo e São Tomé Blanco, definem a seguinte composição média percentual:

¹ Ensaios realizados no laboratório alemão LGA (Landesgewebeanstalt Bayern – Würburg)

Como rochas de coloração clara que realçam os contrastes produzidos por diferentes formas de manchamento, algumas precauções devem ser observadas para a proteção de superfícies do Quartzito São Tomé.

A prevenção de problemas estéticos relacionados à infiltração de líquidos impuros, óleos e graxas , entre outros, pode ser atendida pela aplicação de produtos impermeabilizantes do tipo hidro-óleo-repelentes.

Alguns testes preliminares foram realizados com os impermeabilizantes Block D-70 da Bellinzoni , e Master Repel , da Masterseal Company. O Block D-70 promoveu ligeiro amarelamento em quartzitos esbranquiçados, não se observando alterações cromáticas pela aplicação do Master Repel.

A eliminação ou atenuação de manchas amareladas decorrentes de oxidação ferruginosa com variadas origens, pode ser por sua vez obtida através de produtos limpadores do tipo Oxilene. Tanto a aplicação de impermeabilizantes quanto de tira-manchas, deve ser no entanto efetuada mediante testes específicos nos materiais.

PLACAS POLIDAS

PISOS INTERNOS EM AMBIENTES SOCIAIS – Pincelar o verso das placas com uma mistura de impermeabilizantes e cimento branco acrescentando um pouco de água para maior fluidez se necessário.Deixe secar completamente e proceder o assentamento com rejuntes de pequena espessura, sobre camadas de massa seca preparada com areia lavada. Após a secagem total das placas , por transpiração da umidade remanescente, efetuar o rejuntamento, com pequena espessura, também utilizando cimento branco. A aplicação de impermeabilizantes na face do piso , fica a critério dos responsáveis pela obra, observando-se as recomendações assinaladas quanto a eventuais alterações cromáticas.

PISOS EXTERNOS DE AMBIENTES SOCIAIS – Mesmo procedimento e observações grafadas para pisos internos, recomendando-se aplicação de impermeabilizante na face das placas antes de seu assentamento.

PISOS INTERNOS DE ÁREAS DE SERVIÇO – Mesmo procedimento sugerido para pisos externos de ambientes sociais, aplicando-se impermeabilizante antes (áreas externas) ou após (áreas internas) o assentamento das placas.

REVESTIMENTOS VERTICAIS FIXADOS POR ARGAMASSA² – Efetuar fixação das placas com argamassa branca, utilizando-se de impermeabilizante na face das placas aplicado antes do assentamento apenas nos revestimentos externos.O rejunte pode ser de pequena espessura e também com cimento branco. Os grampos metálicos aplicados devem ser inoxidáveis.

PLACAS NATURAIS

PAVIMENTOS (PISOS) EXTERNOS E INTERNOS ² – Aplicar o impermeabilizante por imersão total das placas e efetuar o assentamento sobre massa seca, preparada com areia lavada. Para imersão no impermeabilizante, as placas devem ser totalmente limpas e secas.

REVESTIMENTOS VERTICAIS FIXADOS POR ARGAMASSA ³ – Mesmos procedimentos recomendados para revestimentos verticais com placas polidas, em ambientes internos e externos.

²Uma eventual alteração cromática inicial pela aplicação de impermeabilizantes, é compensadora a médio e longo prazos, pois previne problemas mais notáveis de manchamento comuns em superfícies rugosas.

³A utilização de impermeabilizantes no verso das placas fixadas por argamassa em superfícies verticais, pode ser recomendada apenas mediante prévia experimentação, pois, não são perfeitamente conhecidos os efeitos dos diversos produtos impermeabilizantes disponíveis no mercado, quanto a uma eventual perda de aderência da placa com a argamassa.

Todas as recomendações grafadas quanto ao uso de produtos impermeabilizantes e tira-manchas, são orientativas, devendo-se efetuar testes preliminares para aplicação em quartzitos e outras rochas ornamentais e de revestimento.

O mesmo pode se dizer quanto ao uso de argamassa e de assentamento e rejunte em relação a manchamentos e alterações cromáticas.

É importante que as alternativas selecionadas na obra conciliem aspectos técnicos e econômicos para se chegar a um equilíbrio entre o comprometimento estético e o ganho de qualidade e durabilidade do revestimento.

CID CHIODI FILHO – CREA N° 54.357/D – GEOLÓGO , PROFESSOR , DIRETOR DA LITHOTEC (SELOS DE AUTENTICIDADE) E VICE- PRESIDENTE DO SIMAGRAN (SINDICATOS DE MÁRMORES E GRANITOS DE MINAS GERAIS).